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Apartheid: segregação racial e violência no passado africano

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São muitos os países que carregam consigo uma história dramática e pouco orgulhosa. A maioria das nações se ergueram através de destruição e injustiças, e o Apartheid é um desses períodos.

O período se passou na África do Sul, tendo início em 1910, e perdurou por quase 80 anos, tendo seu encerramento apenas em 1989. Durante essas décadas, o país segregava descaradamente cidadãos negros, impedindo-os de ter acesso a diversos direitos.

Apartheid significa “separação” no idioma africânder, e é justamente isso que o período representou. O regime de segregação teve início na virada do século XIX para o século XX.

Nesse momento, tanto o continente asiático quanto o continente africano passaram a sofrer grandes mudanças em decorrência da colonização europeia. Foi justamente aí que a África do Sul passou a ser liderada por Louis Botha, que empregaria as primeiras leis de segregação racial no país.

Uma das decisões que daria início ao Apartheid foi definida em 1913, quando Louis aprovou um projeto indicando que 87% das terras africanas deveriam ser entregues aos brancos, e os 13% restantes deveriam ser divididos entre as inúmeras tribos negras que já moravam ali.

Mas somente em 1948 é que o regime racista e de segregação realmente foi instaurado e reconhecido, com a tomada do poder pelo Partido Nacional Africano (PNA).

 

Apartheid no dia a dia: o que esse regime instaurou na então União Sul-Africana?

Com a instauração definitiva do regime, os negros passaram a sentir no dia a dia o poder do racismo em suas vidas. Absolutamente todos os locais possuíam diferenciação entre espaços para brancos e para negros.

Nem precisamos dizer que esses segundos eram os grandes desfavorecidos. Escolas, banheiros, bebedouros, lugares no transporte público…todos esses espaços traziam placas indicando onde os negros deveriam ficar.

É importante destacar que nessa época, menos de 20% da população era branca. Ou seja, uma maioria esmagadora era injustiça por conta dos privilégios racistas de alguns poucos.

Somente os brancos tinham direito de manter um padrão de vida considerado “de primeiro mundo”, e os negros eram mantidos à margem da sociedade, desprezados e menosprezados. E tudo isso era constitucionalizado. O racismo era uma lei dentro do país.

  • Relações inter-raciais:

Em 1949, uma das leis mais absurdas foi imposta: negros estavam proibidos de casar ou manter relações sexuais com pessoas brancas. O viés higienista do Apartheid mostrava-se cada vez mais intenso.

Em 1950 todos os cidadãos passaram a usar uma classificação racial obrigatória. Mestiços foram separados de suas famílias, e a segregação se tornava cada vez mais escancarada.

As crianças negras eram enviadas para escolas separadas das crianças brancas, onde recebiam conteúdo exclusivo para ensiná-las a serem trabalhadoras. Elas não recebiam nenhum tipo de educação tradicional, muito menos eram estimuladas ao pensamento crítico.

 

Conflitos e prisões se tornaram uma constante

É claro que diante de um cenário tão hostil, começaram a surgir alguns grupos de resistência, que eram combatidos com muita violência pelo governo local, receoso com os rebeldes.

A matança foi intensa, principalmente na década de 60, quando os grupos de rebeldes passaram a se tornar cada vez mais fortes. Um dos dias mais sangrentos da história africana aconteceu nessa época.

E foi também nessa década que um dos nomes mais importantes da humanidade passou a ganhar notoriedade: Nelson Mandela.

Ele era líder de uma das facções que lutavam contra o governo racista. Em 1964, Mandela foi preso (não seria a primeira nem a última vez) e condenado a prisão perpétua. Todas as prisões eram marcadas por torturas psicológicas e físicas.

  • Problemas econômicos:

Esse cenário de violência e racismo começou a comprometer a economia local. Já não havia trabalhadores qualificados para diversas funções, e internacionalmente a África do Sul era vista como um país instável e pouco confiável.

A possibilidade de uma iminente guerra civil fez com que a ONU impôs algumas sanções econômicas, e posteriormente impediu a entrada de armas no país.

  • Brancos contra o regime:

Muitos brancos também discordavam do regime do Apartheid. No entanto, o governo considerava qualquer ato de discordância como rebeldia, extremismo e terrorismo, garantindo duras penalidades a quem se mostrasse contrário.

O símbolo da resistência e a liberdade do povo negro

Nelson Mandela rapidamente se tornou um dos símbolos mais importantes da resistência africana contra a política racista do Apartheid. Foi durante a prisão dele e de alguns outros líderes negros que o Apartheid começou o seu declínio.

Em 1990 Frederik Willem assumiu o governo, e começou a desmantelar a triste herança deixada pelo Apartheid. Ele foi o último branco a governar o país.

Ele foi responsável por abolir as leis segregacionistas, e em seu primeiro ano de governo, deu início ao pedido de liberdade dos presos políticos negros.

Dentre eles, estava Nelson Mandela. Fora da prisão, Mandela se candidatou a presidência em 1994, quando os negros já tinham direito ao voto. Como era de se esperar, ele ganhou de maneira exemplar, e se tornou um verdadeiro herói nacional.

Um ano antes ele havia ganhado o Prêmio Nobel da Paz, dividindo o reconhecimento com Frederik Willem, responsável pela sua liberdade.

Mandela morreu em 2013, causando uma imensa comoção tanto no seu país quanto em todo o mundo. Ativistas da paz, e pessoas de grande importância intelectual demonstraram o pesar com o falecimento do líder.

O período dramático do Apartheid ainda é relembrado quando o racismo é tratado em diversos países. Muitas nações, inclusive o Brasil, lutam arduamente contra comportamentos racistas que se mantém intrínsecos na sociedade.

Nelson Mandela se tornou não somente um líder e símbolo de resistência sul-africana contra esse momento, mas também um exemplo de luta para todo o mundo.

Até hoje o seu nome é lembrado e citado em pedidos e paz, e acima de tudo estampado em camisetas e livros que querem contar a história dramática do Apartheid.

Esse é um assunto que pode aparecer em provas e exames, e por isso é muito importante saber do que se tratou e como se extinguiu o Apartheid.


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