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Estado Islâmico: origens, atuação e demanda

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O auto proclamado Estado Islâmico é um grupo de extremistas jihadistas que ganharam destaque no cenário internacional a partir de 2014, quando passaram a atacar e conquistar vastos territórios na Síria e no Iraque.

Photo by REX USA

A organização se tornou notória por sua brutalidade de ação, que inclui um histórico de assassinatos em massa, sequestros e decapitações com imagens publicadas na internet, com o objetivo de recrutar interessados a aderirem à causa. Um de seus grandes destaques em termos estratégicos é a capacidade de utilizar a tecnologia como uma forma de atrair atenção.

Neste artigo, trataremos a organização pelo termo genérico pelo qual ela própria se identifica: Estado Islâmico, ou EI. É necessário ter em mente, no entanto, que ela não consiste verdadeiramente em um Estado, e não representa os interesses islâmicos como um todo, mas apenas a doutrina extremista que eles próprios defendem.

Por isso, seja durante a realização de uma prova ou da simples leitura de uma notícia, é importante saber distinguir a jihad do grupo extremista com aquela que a fé muçulmana prega. Isso evita generalizações e a disseminação de informações erradas.

O que o Estado Islâmico pretende alcançar?

Em junho de 2014, a organização declarou o seu próprio califado, que é o nome dado a um Estado governado pelo califa – o representante de Deus na Terra – de acordo com as leis da islâmicas da Sharia.

Ao fazer a declaração, a organização tentou se estabelecer como a verdadeira representante do Islã, proclamando a união e a aliança de todos os muçulmanos ao novo califa, Abu Bakr al-Bahdadi, convidando-os a migrarem para o território sob seu controle.

Além disso, conclamou a união de outras organizações jihadistas radicais à sua autoridade, incluindo algumas ramificações da al-Qaeda, com quem mantém relações dúbias nos dias atuais.

Segundo as declarações da própria organização, sua intenção é erradicar obstáculos para restaurar as leis divinas, e proteger a comunidade muçulmana contra os infiéis, muito embora sua atuação na Síria demonstre que o EI considere infiéis todas as crenças – inclusive muçulmanas – que não estejam de acordo com o seu extremismo.

Quais são as origens do Estado Islâmico?

As origens do Estado Islâmico podem ser apontadas para o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, a partir de uma aliança feita entre ele e Osama Bin Laden. A união buscava contrapor a invasão dos EUA no Iraque junto à al-Qaeda.

Após o falecimento de Zarqawi, um novo líder chamado Baghdadi tentou reestabelecer a força da organização. Já em 2010, o Estado Islâmico realizava uma série de ataques no Iraque, até enxergar a oportunidade de ação na instabilidade Síria.

A organização criou seu próprio fronte na Síria contra o presidente Bashar al-Assad. Com o sucesso dos ataques, Baghdadi anunciou, em 2013, a união das forças do Iraque e da Síria, criando o “Estado Islâmico do Iraque e do Levante”, rejeitado tanto por forças rebeldes da Síria, quanto pela própria al-Qaeda.

Com o tempo, a forma como adquiriam novos recrutas e o domínio de áreas de interesse econômico que provavelmente tiveram sucesso ao estabelecer relações econômicas com outros Estado permitiram a organização estabelecer território significativo sob suas forças.

Cidades importantes, como Falluja, Mossul e Bagdá estiveram sob domínio da organização.

A perda de território do Estado Islâmico

A falta de apoio de outras organizações e o desenvolvimento de resistências envolvendo outros grupos e países – como a atuação de grupos curdos – enfraqueceu significativamente o poder do Estado Islâmico.

Embora ainda seja uma ameaça relevante, seu maior perigo diz respeito à facilidade do grupo de atrair extremistas em busca de uma causa ao redor do mundo, através da internet. Mesmo perdendo força territorial, o Estado Islâmico possui material de apoio para aqueles que pretendem realizar ataques terroristas em seu nome, mesmo que não possuam nenhuma relação direta com a organização.


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