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Guerra na Síria: causas, números e evolução

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A guerra na Síria é um dos assuntos mais delicados da atualidade: aquilo que começou em um protesto pacífico contra um presidente tornou-se uma guerra civil que contabiliza suas vítimas em centenas de milhares, e não demonstra nenhuma esperança de acabar em breve.

Além disso, a presença de outros Estados e forças não-estatais no conflito torna tudo ainda mais complicado neste importante capítulo da contemporaneidade. Saiba mais sobre a guerra na Síria, seu surgimento e seus episódios:

Dos protestos à Guerra Civil

Em vários países árabes, o início da década de 2010 marcou o que se chamaria de “primavera árabe”. Grupos insatisfeitos com seus governos organizaram propostos em diferentes países, e em 2011 foi a vez a Síria.

Por lá, um grupo de jovens foi preso e torturado por pintar frases contra o governo. Isso gerou protestos a favor da democracia e contra o presidente Assad, no poder desde a morte de seu próprio pai. Vários grupos passaram a apoiar o protesto ao redor do país, e as pressões para a resignação de Assad no cargo se tornaram cada vez maiores.

A forma brutal como o governo tentou reprimir a revolta fez com que cada vez mais pessoas apoiassem os protestos, até o ponto em que parte da oposição foi às armas em um movimento não apenas de defesa, mas de expulsão rebelde das forças do governo.

O escalonamento da batalha entre rebeldes e governo evoluiu para uma guerra civil de proporções gigantescas, que atingiu as principais cidades do país enquanto Assad buscava refúgio em nações próximas.

A adição da dimensão terrorista

O grande problema das batalhas foi o profundo enfraquecimento dos dois lados. Isso abriu espaço para vários outros atores no conflito. Rapidamente, os curdos da Síria desenvolveram sua própria resistência. Em seguida, foi a vez de um inimigo ainda mais problemático, o auto-proclamado Estado Islâmico.

Diferentemente das outras partes do conflito, esse participante não tinha uma visão para a Sìria senão o seu próprio domínio fundamentalista e controlador, em uma caminhada que acreditam realizar em nome da religião, embora pouco se tenha a relacionar.

Quais são os “lados” atuais da guerra na Síria?

Atualmente, pode-se apontar alguns grupos de atores centrais no conflito. Por um lado, há as forças do governo de Assad, que recuperaram poder, recentemente, em contraposição às forças rebeldes ainda existentes.

No segmento do terrorismo fundamentalista, há grupos do ISIS e da Al-Qaeda ainda tentando algum tipo de benefício em função do estado enfraquecido local.

Alheio ao conflito central, mas com suas próprias agendas, os grupos curdos buscam o direito ao auto-governo no país, sem necessariamente entrar em conflito direto em relação ao Estado, mas se defendendo de qualquer tentativa de redução de sua estabilidade. Os grupos armados curdos foram, durante muito tempo, as principais resistências de sucesso ao avanço do Estado Islâmico.

Quem está envolvido no conflito, atualmente?

Cada um destes lados citados possui seu próprio grupo de apoiadores. No lado do governo, por exemplo, Rússia e Irã estão entre os principais aliados. Alguns mercenários do Iraque, do Afeganistão, do Iêmen e do Líbano também participaram dos conflitos ao lado do exército Sírio.

Do lado dos rebeldes, posicionam-se os EUA, a Arábia Saudita e a Turquia, em certa medida. A Turquia tem uma ação especialmente dedicada ao conflito contra os grupos curdos, uma vez que a maior população curda do planeta fica em seu território, e é organizada em busca da própria independência – algo que o governo não está disposto a oferecer.

Por óbvio, nenhum país se posiciona publicamente a favor do auto-proclamado Estado Islâmico, embora existam algumas evidências de que vários países – inclusive alguns que apoiam outros lados do conflito, mantém relações comerciais com a organização.

Quais os resultados deste conflito?

A contagem de mortes da guerra na Síria, hoje, ultrapassa as 350 mil pessoas. Estima-se, ainda, que 1,5 milhões sofreram algum tipo de ferimento grave.

O terror e a guerra fizeram com que mais de seis milhões de sírios precisassem se mudar para outras partes do país, enquanto mais de 5,5 milhões fugiram para outros países, sobretudos o Líbano, a Jordânia e a Turquia. Isso significa que mais de dois terços de sua população tiveram que sair de suas casas.

É difícil determinar qual será o futuro, ou quando será o fim do conflito. Atualmente, as forças do governo conseguiram recuperar boa parte do território, e a ameaça terrorista foi reduzida, embora os conflitos com rebeldes ainda sejam uma questão. Além disso, as vidas perdidas e a destruição de cidades é um grave problema com o qual o país precisará lidar no futuro.


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