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Inconfidência Mineira: causas, objetivos e resultados

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A Inconfidência Mineira é um dos mais icônicos movimentos de independência do Brasil em relação à colônia. Apontada no dia 21 de abril de 1792, a Inconfidência Mineira ocorreu em Minas Gerais, na região de Vila Rica – hoje correspondente ao território de Ouro Preto.

Era na região de Vila Rica que os abusos da Coroa, especialmente em relação à riqueza mineral extraída do país, era mais percebida. Em função do grande interesse no ouro, a presença da metrópole no local era mais percebida, e incomodava mais diretamente os membros da sociedade que possuíam influência.

A Inconfidência Mineira é, sobretudo, um motivo orquestrado pela elite econômica insatisfeita com o andamento do governo da Coroa. Inspirados por ideais europeus de liberdade, estes membros da sociedade elaboraram o episódio que acabou tornando-se um dos grandes ícones do período.

Saiba mais sobre a Inconfidência Mineira, suas causas e consequências:

Causas da Inconfidência Mineira

Diversas causas colaboraram para o surgimento do movimento que levaria à chamada Inconfidência Mineira. A partir de meados do século XVIII, o nível de produção do ouro passou a diminuir na região das Minas Gerais. Gradualmente, portanto, havia menos recursos disponíveis para os produtores, menos circulação de dinheiro no mercado e menos arrecadação para a metrópole.

Em função da antiga circulação de ouro na região, o custo de vida tornou-se alto, e a necessidade de consumo de produtos importados imposta pelo governo português tornava a situação ainda mais grave. A despeito deste alto custo de vida e a derrocada da extração do ouro , a Coroa não estava disposta a cobrar menos taxas.

Além do quinto cobrado sobre a extração, a Coroa ainda exigia a arrecadação de, ao menos, 100 arrobas de ouro em taxas, o que corresponde a cerca de 1,5 tonelada do metal. Quando a arrecadação não atingia este ponto, toda a população deveria pagar pelo restante – mesmo que através do uso da violência estatal.

Enquanto a situação parecia cada vez mais crítica, novas ideias vinham do exterior, através de filhos da classe alta e de notícias. Os ideais franceses e a notícia de independência dos EUA passaram a fomentar ideias libertárias na região.

Quem eram os inconfidentes?

Em sua grande maioria, os responsáveis pelo planejamento do movimento revolucionário eram proprietários de terras, mineradores, padres ou pessoas com certo poder aquisitivo e habilidades culturais. A adesão de uma maior parte da população não incluía a participação do povo na elaboração destes ideais.

Entre os principais nomes, Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto tinham suas riquezas vindas da mineração e da posse de propriedades. Cláudio, pro exemplo, havia estudado em Coimbra, e foi parte da administração colonial em alto nível.

O escritor e poeta Tomás Antônio Gonzaga também possuía formação na Europa e trabalhou para o Estado. Já Francisco de Paula Freire era tenente coronel e comandante de uma importante tropa militar de Minas Gerais.

O mais icônico dos personagens, no entanto, foi Joaquim José da Silva Xavier, que seria posteriormente chamado de Tiradentes. Seu pai possuía uma pequena propriedade rural, e ele foi militar, dentista e comerciante. Sua participação foi importante na disseminação do movimento junto ao povo.

Objetivos da Inconfidência Mineira

Entre os principais objetivos do movimentos, destacam-se a intenção de romper com o governos português, entrando em uma era republicana aos moldes do que fora realizado nos Estados Unidos, recém independente da Coroa britânica.

Além disso, as intenções incluíam industrializar a região, criar uma universidade em Vila Rica e, finalmente, estabelecer o serviço militar obrigatório, demonstrando o atendimento de demandas de diversos setores ascendentes da sociedade.

Frustração e consequências

Combinou-se que os conspiradores deveriam iniciar o movimento de combate armado no dia do derrama (cobrança adicional de impostos para completar as cem arrobas de ouro) que ocorreria em 1788.

Três participantes da conspiração, no entanto, denunciaram os planos do movimento para o governador local, o Visconde de Barbacena. Após o movimento ser delatado, o dia do derrama foi cancelado, e o movimento foi desarticulado com a prisão de seus líderes.

Tiradentes, o menos rico entre os líderes do movimento, foi preso no Rio de Janeiro, em 1789. Em 21 de abril de 1792, foi enforcado em praça pública, e teve seu corpo esquartejado e exposto, aos pedaços, em público, com o objetivo de desestimular novas revoltas.


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