Início » História » Zumbi dos Palmares: a história de um líder

Zumbi dos Palmares: a história de um líder

Compartilhe!

O nome Zumbi dos Palmares costuma ser imediatamente reconhecido como o de um dos líderes da resistência à escravidão em seu sentido mais íntimo no contexto colonial brasileiro. O que nem sempre é tratado com atenção, no entanto, é o desenvolvimento de Zumbi como um líder, e seu significado na luta contra a escravidão.

Levaria mais de dois séculos entre seu nascimento e o fim da escravidão no Brasil, o que demonstra a urgência da luta e a lentidão do processo de liberdade no país. Saiba mais sobre Zumbi dos Palmares, sua história e sua importância no desenvolvimento do Brasil:

Quem foi Zumbi dos Palmares?

Zumbi dos Palmares  nasceu livre no ano de 1655, no estado de Alagoas, segundo conta a maior parte das histórias a respeito de seu nascimento. Segundo as principais versões sobre sua vida, Zumbi foi capturado – ainda com outro nome – aos sete anos de idade, e entregue ao jesuíta Antônio Melo.

Com o jesuíta, foi catequizado, recebendo a educação formal típica da cultura católica, sendo rebatizado de Francisco, e estudando matemática, português e latim. Viveu sob os ensinamentos de Antônio Melo até os 15 anos, ajudando-o nas missas e em sua rotina.

Aos quinze anos de idade, o jovem fugiu em busca dos já existentes quilombos no interior de Alagoas. Neles, os escravos fugidos encontravam sua liberdade, vivendo de acordo com suas próprias culturas e produzindo de forma independente em relação ao resto do Estado, onde eles próprios poderiam ser procurados e mortos.

Ao chegar no quilombo dos palmares, com o território onde hoje existe a cidade de União dos Palmares, em Alagoas, o jovem recebeu um novo nome: Zumbi. Zumbi representa, para os imbagalas da Angola, aquele que morreu e voltou a viver, como a própria identidade do jovem.

Resistência e início da jornada

O primeiro grande confronto de Zumbi ocorreu um 1675, quando o quilombo dos Palmares foi atacado pelos soldados portugueses. Na ocasião onde os soldados foram derrotados, retirando-se para Recife, o jovem – já aos vinte anos – foi reconhecido como um grande combatente.

Incapaz de derrotar o quilombo, o governo local buscou fazer um acordo com o líder do período – Ganga Zumba – onde os moradores do local, os quilombolas, seriam considerados livres. Zumbi iniciou a destacar-se no período, opondo-se ao acordo por considerar injusto que ele e seus pares fossem libertados enquanto tantos outros negros eram escravizados nas fazendas.

Liderança dos Palmares

A falta de um acordo acabou com a amistosidade do governo em relação ao quilombo. Em 1680, Zumbi torna-se o líder do quilombo dos Palmares, em uma época em que o governo voltou a ser bastante duro contra o local,

Além de obter diversas vitórias, o quilombo cresce sob sua liderança, chegando a trinta mil quilombolas que vivam nesta comunidade independente. Com bons conhecimentos militares e excelente planejamento, resiste durante anos com bastante desenvolvimento no local.

Em 1694, no entanto, uma ataque enorme e planejado por um bandeirante acaba por derrotar o quilombo dos Palmares, destruindo completamente a comunidades e, em especial, sua sede. Zumbi foge por algum tempo, mas é entregue ao bandeirante. No ano seguinte, foi degolado aos 40 anos de idade em 20 de novembro.

Homenagem e importância

O próprio nome Zumbi dos Palmares simboliza grande parte da luta deste homem que consagrou-se entre os principais líderes do Brasil. Lutando contra a escravidão, ele foi capaz de pôr em pauta – mais de três séculos atrás – questões que ainda são discutidas no cenário atual, como a prática livre de cultos diversos e as manifestações culturais com segurança.

O dia 20 de novembro, data de sua morte, é homenageado, hoje, como o Dia da Consciência Negra em território nacional.


Compartilhe!