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Segregação: entenda o significado da prática

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Existem vários tipos de segregação praticada de forma velada ou escancarada na sociedade moderna. Mas tal prática não é um fenômeno moderno, mas uma ação identificada desde os primórdios da humanidade.

Analisando a definição do termo no dicionário, vermos que segregação é o ato de separação, divisão com objetivo de se evitar contato com determinado grupo forçando-o ao isolamento. Logo, entendemos que a palavra equivale a “separação”. Usada fora de contextos específicos pode se referir a separação de qualquer coisa, objetos, animais ou pessoas.

Contudo, na sociologia há categorias específicas de segregação que se relacionam diretamente com o convívio em sociedade, o relacionamento de pessoas de diferentes grupos étnicos, religiosos ou culturais. A segregação nesse contexto gera repercussões profundas e danosas que se estendem por gerações alimentando velhos preconceitos e problemas que impedem o progresso do social como um todo.

Neste artigo, vamos abordar a segregação sob a ótica dos estudos sociológicos, comentar sobre as possíveis causas e influências que levam essa ação condenável se repetir ao longo do tempo. Também comentaremos rapidamente os exemplos históricos de segregação que marcaram terrivelmente a história da humanidade.

Saiba mais a respeito de segregação do ponto de vista sociológico a seguir.

Confira os tópicos abaixo!

A segregação na sociologia

Do ponto de vista sociológico a segregação é o ato de isolar determinados grupos de pessoas circunstancialmente mais fracos por parte de grupos mais fortes. O objetivo do isolamento é evitar o contato direto entre os grupos em razão de crenças provindas normalmente de preconceitos enraizados que sugerem uma suposta superioridade moral de um grupo em relação ao outro.

Essa segregação tem como desdobramentos repercussões negativas na dinâmica social uma vez que serve de fonte de hostilidades pelo entendimento dos mais atingidos que são alvo de injustiça. Hostilidades que promovem conflitos sociais que podem gerar grandes instabilidades a curto ou a longo prazo.

Os conflitos têm potencial de perdurar por gerações uma vez que o estado de coisas se mantenha inalterável ou sem uma solução satisfatória para uma das partes. O impasse estimula a perpetuação de visões estereotipadas dos grupos envolvidos no embate às gerações seguintes. Estas tenderão a reproduzir as mesmas ideias e comportamentos que não levaram a resolução do problema no passado estabelecendo, dessa forma, um triste círculo vicioso que não oferece progresso rumo ao entendimento das partes.

São vários tipos de segregação existentes e mais de um fator que motiva esse tipo de comportamento.

Segregação

Circunstâncias que levam a segregação

São várias as circunstâncias que podem motivar indivíduos promover atos de segregação contra terceiros. Entretanto, três dessas circunstâncias merecem destaque porque são a causa da maioria dos casos.

A primeira circunstância é quanto ao tamanho ou número de grupos, questão relacionada a minorias ou maiorias. Uma maioria pode entender que a minoria deve se curvar as suas vontades pelo fato de estar em menor número. Uma minoria pode ter a compreensão que se trata de um grupo seleto e não se deve se misturar com a “massa”.

A segunda circunstância diz respeito às diferenças étnicas e culturais. O encontro de grupos de indivíduos que ostentam diferenças físicas e comportamentais.

A terceira circunstância é a disputa econômica, a luta por recursos e melhores condições de vida. Um grupo pode se julgar merecedor mais do que o outro de usufruir determinadas posses ou se julgar superior ao outro por ter mais posses e por isso pertencer a uma classe social seleta.  Por esse motivo, se vê no direito de tirar vantagens sobre outras classes.

Tipos de segregação

Elencadas as principais circunstâncias que promovem a segregação dentro de uma sociedade sob o ponto de vista sociológico, segue os tipos de segregação que decorrem por ocasião desses fatores circunstanciais em evidência em determinados ambientes.

Contudo, é importante destacar que mais de uma dessas circunstâncias podem influir no quadro de segregação.

Racial

Normalmente a segregação racial está ligada a preconceitos enraizados quanto a grupo de indivíduos que portem características físicas ou comportamentais diferentes das que se está habituado. Preconceito contra grupos que não façam parte de uma maioria dentro de uma localidade.

Esses preconceitos estimulam a estereotipização de etnias que se instaura no senso comum de modo a perpetuar preconceitos ao longo de gerações. Mesmo que não se tenham bases sólidas para justificá-los.

Religiosa

É a segregação que se baseia na crença de que uma ou mais religiões encarnam um mal opositor a uma determinada religião e por isso oferecem um risco ao bem estar de todo o coletivo que a segue.

Esse suposto mal pode ser tanto de ordem espiritual como física. Muitos indivíduos desses grupos que promovem a segregação religiosa acreditam se tratar de um dever sagrado imposto por sua crença combater ostensivamente outros tipos de religiosidade que supostamente feririam princípios dogmáticos da causa que defendem.

Sexual

A segregação sexual parte daqueles que acreditam que determinado sexo porta superioridade em relação ao oposto sobre todos os aspectos ou em específicos. É um tipo de segregação que mais se observa a manifestação de machismo, misoginia, preconceito e ódio do homem para com a mulher.

A segregação sexual também abre possibilidade de manifestação de preconceitos homofóbicos, lesbiofóbicos e transfóbicos pelo entendimento de que existe um comportamento sexual “certo”, “normal”, e “errado”, “doentio” ou profano.

Exemplos de segregação na história

Infelizmente a história reserva capítulos terríveis de segregação. Como dito anteriormente não se trata de um fenômeno moderno, pois esse procedimento de divisão e subjugação de povos, grupos, sobre outros é uma característica antiga da humanidade.

No século XX tivermos talvez o exemplo mais terrível de segregação que foi o protagonizado pelo regime nazista de Hitler. O comando nazista segregou milhões de judeus em campos de concentração que se revelaram posteriormente campos de extermínio. Segregação motivada por preconceito que ocasionou um dos maiores genocídios da história.

Também no século XX vimos o estabelecimento de uma política de segregação racial em um país africano colonizado por uma potência europeia. Na África do Sul do Apartheid a população africana negra era excluída de vários direitos civis e políticos. Quadro que só veio se alterar com o ativismo e governo de Nelson Mandela.

Outros conflitos derivados de casos de segregação: embate entre palestinos e judeus, católicos e protestantes na Irlanda, franceses e imigrantes. Entretanto, infelizmente existem vários outros casos que poderiam ser citados.

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