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Saiba o que é intolerância religiosa e porque ela ainda é tão atual

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A intolerância religiosa nunca deixou de ser um tema atual, e ela já existe há um longo tempo. Por que será que esse debate ainda ganha força e por que as pessoas não param para questionar a gravidade de um preconceito religioso?

Essas perguntas remetem a profundas reflexões sobre a sociedade em que vivemos. Principalmente no Brasil, pois é um país que teoricamente se declara laico. Mas por que, então, as violências contra grupos religiosos são tão frequentes?

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Ao dissertar sobre um tema como a intolerância, deve-se sempre tomar como base sua história na humanidade, para descobrir as causas e as consequências que as discussões religiosas nos trouxeram.

O que é intolerância religiosa?

Intolerância religiosa é quando uma pessoa ou grupo de pessoas não respeitam de alguma forma uma religião ou crença de outra pessoa ou grupo de pessoas. Isso pode ser demonstrado com violência física ou verbal, além de humilhação pública e invasão de cultos de outra fé.

Ao longo de muitos períodos históricos a sociedade sofreu com intolerância religiosa, pois sempre existiram pessoas que quiseram impor sua própria fé acabando com outras religiões, por puro egoísmo e egocentrismo.

A intolerância religiosa e a Idade Média

A intolerância religiosa na Idade média ganhou vida e força em pouco tempo. Isso porque, na história da perseguição de religiões, os cristãos foram os que mais lutaram para impor a sua fé naquela época, depois de serem perseguidos pelos romanos, assim como os judeus.

Intolerância religiosa

De qualquer forma, durante todo o período da Idade Média, qualquer coisa que se desviasse da religião cristã, seja a criação de novas religiões, tentativa de cultos de antigas crenças ou até mesmo ideias científicas que desmentiam a fé cristã, eram caçados pela inquisição.

A inquisição, então, foi o movimento mais temido dessa época, pois era uma forma de pressionar a população e aterrorizar, torturando aqueles que destoassem para servir de exemplo ao resto dos camponeses.

Então, ninguém ousava expor sua fé caso fosse contrária à fé cristã, fazendo esse sistema funcionar por um tempo. A inquisição era tão forte que não perdoava nem mesmo membros da igreja que parecessem suspeitos.

Outras perseguições religiosas

Como não podia deixar de ser, as perseguições religiosas não foram uma característica apenas dos cristãos na Idade Média. Muitos outros povos com diferentes crenças já tentaram impor seus valores sobre os outros indivíduos de sua sociedade.

Foi assim que aconteceu, logo após a inquisição, com a reforma protestante. E, posteriormente, os muçulmanos também tentaram impor o islamismo em seu território e no mundo.

O nazismo também foi um forte movimento que, dentre outras violências e preconceitos, perseguiu grupos religiosos não cristãos ou ateístas. Nos Estados Unidos, durante o século XIX, os mórmons também foram perseguidos.

Ou seja, as pessoas nunca foram capazes de respeitar as religiões e as diferenças. Por que será que isso acontece? Por que as religiões que pregam amor são construídas com tanto ódio?

Esse questionamento ainda está bastante vigente no mundo, mas, ao mesmo tempo em que a intolerância religiosa foi disseminada, também existiram grupos que ajudaram a defender as religiões atacadas.

A intolerância religiosa no Brasil como um estado laico

No Brasil, a história da intolerância religiosa começou junto com a descoberta do país, quando os índios ainda habitavam essas terras. O cristianismo, com as cruzadas e outros movimentos, começaram a impor a fé católica sobre esses povos indígenas.

No começo, padres tentavam doutrinar as aldeias, realizando cultos católicos e missas, reunindo o maior número de índios para mostrar a eles o “verdadeiro” deus. Assim, começaram as primeiras imposições católicas no Brasil.

Posteriormente, os europeus apenas tentaram dizimar ou escravizar todos aqueles povos considerados inferiores e apenas proibiram a existência de outra fé que não a católica no país.

A mesma coisa aconteceu com os negros africanos que vieram para o Brasil afim de se tornarem escravos. As religiões africanas não são respeitadas pelos brasileiros até hoje, mas naquela época era ainda pior.

Porém, conforme o país foi se desenvolvendo e recebendo imigrantes de todas as partes do mundo, o Brasil foi se tornando a casa de muitos povos diferentes e, com isso, as culturas foram se mesclando.

Até que chegou um ponto em que era insustentável separar as religiões, pois a diversidade de cultura brasileira é muito grande. Então, na Constituição de 1891, a Igreja e o Estado finalmente foram separados.

Intolerância religiosa contemporânea

Mesmo com o Brasil sendo um estado laico atualmente, a intolerância religiosa continua. Isso é uma questão de fatos e dados estatísticos. Afinal, os chefes de governo brasileiros e a maioria dos políticos são declaradamente cristãos, se dividindo entre católicos e evangélicos.

Intolerância religiosa

Além disso, o Brasil registra uma denúncia de preconceito ou violência religiosos a cada 15 horas, sendo que de todos os casos, cerca de 40% são ataques a religiões africanas, como o Candomblé.

Portanto, a intolerância religiosa sempre existiu, e está longe de acabar. Por isso é tão importante sempre questionar esses tipos de preconceito, visando que um dia eles acabem e todas as religiões possam ser celebradas com a mesma liberdade.


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